Eu sou fascinado por ferramentas que estimulam/possibilitam a documentação de informações, seja através de texto, imagem, áudio, vídeo etc. Quando conheci o fenômeno Wiki, há alguns anos, achei, em um primeiro momento, algo um pouco "fora de controle", com sua proposta de qualquer um poder atualizar um documento (a fim de, apostando na inteligência coletiva, cada vez mais enriquecer tal registro), mas alguns projetos de documentação que têm como base o Wiki continuam firmes e fortes. E, apesar de eu já ter escrito sobre o assunto aqui no Comunique-se em fevereiro de 2003 (aqui), vale dar uma nova olhada no universo Wiki, porque brasileiro, além de não gostar de ler, esquece de fatos importantes muito rápido (piada saudável.. rsrs).
Mas que diabo é Wiki?
O Wiki pode ser entendido como uma página editada por qualquer internauta. A aparência é a mesma de uma página HTML. O que muda basicamente é a facilidade de edição e a filosofia de ser sempre aberto, público. O nome Wiki veio da palavra havaiana Wiki-wiki, que significa "rápido". E não é por menos. O processo de edição/atualização de uma Wiki é bem prático, tanto quanto atualizar um weblog.
Como vai o Wiki?
O Wiki continua tão firme e forte que foi tema de um post recent no conceituado blog E-Media TidBits, do Poynter Institute. O post do jornalista Steve Yelvington - que trabalha com projetos online desde 1993 e edita o também conhecido blog Yelvington.com - lembra que pioneiros do universo hipertextual, como Ted Nelson e Tim Berners-Lee (sim, o inventor da WWW) sempre imaginaram ambientes de leitura e escrita. Nesse ponto, os weblogs se destacaram muito. Com apelo visual, os fotoblogs também conquistaram o povo. E, em ambos os casos, temos inúmeros exemplos (a começar pelo próprio TidBits) de blogs e similares com proposta de documentação, de registro e/ou de informação. Mas Yelvington acredita que as coisas não param nos blogs e começa a falar sobre um outro formato - referindo-se ao Wiki - que, segundo ele, muitos jornalistas não conhecem.
Yelvington confessa que escreveu em um publicação no formato Wiki e a achou bem prática. Mas, olhando em volta do movimento, percebeu que, assim como o mundo dos blogs, o do wiki é dominado por conteúdos auto-referenciais, Wikis cuja missão é falar sobre a idéia, sobre a proposta do Wiki.
Mas, apesar da predominância dos conteúdos auto-referenciais, podemos encontrar projetos de peso que utilizam o Wiki. A Wikipedia, talvez maior representante do Wiki, está aí para mostrar na prática que o formato funciona, e muito bem. Com mais de 325 mil artigos, essa gigante enciclopédia de conteúdo aberto, com a qual qualquer um pode contribuir, está cada vez mais sólida. E foi justamente ela que mudou o pensamento de Yelvington - que sugeriu aos seus leitores dar uma olhada no termo Lei de Murphy, na Wikipedia - sobre o formato Wiki.
Como os sites de notícia podem usufruir, talvez em conjunto com os leitores, desse formato?, pergunto eu. Como a mídia pode utilizar o Wiki? Pergunta Yelvington. É assim como ele termina seu post, citando como exemplo o Disinfopedia, um Wiki colaborativo que alerta para alguns perigos de se colocar wikipages em sites de notícias. Vale a pena conhecer o Wiki, underground por natureza, suas facilidades e propostas, e, principalmente, como este recurso poderia se encaixar numa publicação noticiosa. E é até esse um dos nossos papéis como jornalista no meio online, pensar na utilização dos diversos recursos existentes para a informação. Até a próxima!
Em tempo, não deixe de ler o artigo “Wiki como proposta de jornal colaborativo”, também de minha autoria.
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